A Coreia do Norte convidou os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) a ajudar a implementar o recente acordo com os Estados Unidos, que prevê uma moratória das atividades nucleares de Pyongyang em troca de ajuda alimentar.
A proposta foi formulada na noite desta segunda-feira (19), em Pequim, pelo chefe dos negociadores norte-coreanos, Ri Yong-ho, segundo a TV sul-coreana KBS.
"Nossa posição é aplicar a totalidade do acordo entre a República Popular Democrática da Coreia (RPDC) e os Estados Unidos anunciado no dia 29 de fevereiro", declarou Ri Yong-ho à imprensa. "Com a finalidade de implementar este acordo, enviamos o convite à AIEA para que mandem inspetores ao nosso país".
Segundo a KBS, o negociador norte-coreano fez tais declarações após se encontrar com seu homólogo chinês, Wu Dawei.
"O lançamento do satélite é uma coisa e o acordo RPDC-EUA, outra", disse Ri Yong-ho, que pediu a Washington que respeite seus compromissos e forneça a ajuda alimentar.
Segundo o acordo firmado entre Pyongyang e Washington, os norte-coreanos se comprometem a suspender seus lançamentos de mísseis de longo alcance, testes nucleares e atividades de enriquecimento de urânio. Em troca, os Estados Unidos fornecerão 240 mil toneladas de alimentos.
O governo de Pyongyang, que garante que o lançamento do satélite tem objetivos pacíficos, convidou especialistas e jornalistas estrangeiros para assistir à operação, prevista para entre 12 e 16 de abril, para comemorar o centenário de nascimento do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung.
Mas os Estados Unidos e seus aliados afirmam que o lançamento é um teste dissimulado de míssil, o que viola as resoluções da ONU proibindo provas balísticas na Coreia do Norte.
Nesta terça-feira (20), o alto representante da China para a Coreia do Norte, Wu Dawei, afirmou que teve discussões francas em Pequim com o chefe dos negociadores de Pyongyang para o programa nuclear norte-coreano.
Wu Dawei e Ri Yong-Ho tiveram na segunda-feira "conversas francas e profundas sobre a maneira de proteger a paz e a estabilidade na península coreana", afirma um comunicado do governo chinês.