Brasil defende ação enérgica da ONU sobre Israel


O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta segunda-feira (31) que o Brasil espera que a Organização das Nações Unidas (ONU) tome uma reação enérgica em relação a Israel devido ao ataque a navios que levavam suprimentos para a população da Faixa de Gaza, ocorrido nessa madrugada.

"Vai ficar uma marca muito forte. É algo que necessita de um tipo de ação da ONU e esperamos que o presidente do Conselho de Segurança [da ONU] dê uma declaração forte. O Itamaraty chamou o embaixador de Israel para manifestar nossa indignação em relação ao ato. Espero que Israel atenda ao que foi solicitado", disse Amorim ao deixar a reunião da Comissão Econômica para Países da América Latina, que ocorre em Brasília.

O ministro disse que a posição do Brasil de condenar de forma veemente o ataque foi orientada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e está, de acordo com o ministro, coerente com a forma do Brasil atuar no Oriente Médio.

"Nossa atuação é no sentido de buscar a paz e o entendimento. Somos amigos de Israel, mas não é com esse tipo de ação intempestiva que Israel conseguirá a paz. Mas é vivendo em paz com seus vizinhos, com a Palestina, com os demais países árabes que os cidadãos israelense terão paz em seu território, que também precisa ser assegurada".

Para Amorim, é necessário ter em mente que se o bloqueio a Gaza não estivesse em vigor, não haveria a necessidade de envio de suprimentos à região.

"Às vezes é difícil colocar as palavras em uma nota, porque as palavras são acabam ficando gastas. Nós não poderíamos ter ficado mais chocados com um evento desse tipo. Eram pessoas pacíficas, que não significavam nenhuma ameaça e realizavam uma ação humanitária que não seria necessária se terminasse o bloqueio a Gaza", lamentou.

Ataque terrorista

Em entrevista à Rádio Vermelho, o secretário nacional de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu, o Alemão, destacou a gravidade do ataque israelense contra navios de ajuda humanitária nesta madrugada junto à Faixa de Gaza.

"É impressionante como a mídia trata de forma diferente as críticas ao Irã e à Coréia do Norte, com relação aos ataques terroristas perpetrados por Israel nesta madrugada" afirmou Alemão.

PT condena

Além do PCdoB, o Partido dos Trabalhadores, por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais foi um dos poucos a se posicionar a respeito na cena política brasileira. Segundo fontes da Secretaria, o partido "condena a agressão praticada por tropas do governo de Israel" contra a "Frota da Liberdade".

Ouvida pela agência italiana Ansa, a Secretaria, chefiada por Irini Lopes, afirmou que o ataque ocorrido nesta segunda-feira "só confirma o acerto" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva "e de todos que estão buscando uma solução pacífica para os conflitos do Oriente Médio".

Suplicy participaria

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que chegou a ser convidado a participar da expedição humanitária, disse que também tentará um contato com o embaixador de Israel no Brasil.

"Fiquei muito preocupado com esse episódio. Desde o início, os organizadores da expedição deixaram claro de que se tratava de um movimento totalmente pacífico", disse o senador.

Segundo Suplicy, o convite para integrar a frota chegou há cerca de dois meses. "Mas eram duas semanas de votações importantes no Senado, por isso tive de recusar", disse.

Total solidariedade

Em nota divulgada hoje cedo, o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) condenou o ataque militar israelense contra a missão pacífica e humanitária.

"Tal crime de lesa-humanidade cometido pelo governo de Israel demonstra mais uma vez sua natureza agressiva e terrorista. Israel não só nega o direito do povo palestino a ter seu estado independente, como usa a força militar para impedir qualquer ajuda humanitária a este martirizado povo, vítima de ocupação e ataques, como ocorreu entre fins de dezembro de 2008 e janeiro de 2009", afirmou Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz e também do Conselho Mundial da Paz (CMP).

Da redação, com agências