Taxa de juros


 O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) anunciou na noite desta quarta-feira (28) uma elevação de 0,75% na taxa básica de juros (Selic), fixada agora em 9,50%. Embora não tenha causado maior surpresa, a decisão despertou indignação generalizada entre representantes dos trabalhadores e das forças progressistas, além de empresários do setor produtivo. Afinal, o Brasil continua praticando as mais altas taxas de juros reais do mundo.

 
A justificativa ou pretexto é, como sempre, a suposta ameaça de um descontrole dos preços. Mas o fantasma da inflação parece mascarar outros interesses, obscuros, embora identificáveis. Com forte respaldo na mídia, o BC criou um “verdadeiro clima de terror” para convencer o distinto público da necessidade de “conter a demanda crescente”, conforme denunciou o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, em artigo reproduzido em nosso portal.
 
O país perde, os credores lucram
 
Na opinião de muitos economistas, o perigo alardeado pelos tecnocratas que cuidam da política monetária brasileira não é real. “A questão é eminentemente política”, assinalou o dirigente comunista. A alta dos juros prejudica a maioria da nação, uma vez que tem um impacto altamente negativo sobre os investimentos, o consumo e as contas públicas. Em contrapartida, favorece a oligarquia financeira, os credores das dívidas governamentais, o capital estrangeiro especulativo.
 
“Trata-se de uma insanidade”, declarou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes. O sindicalista foi duro na crítica. “A decisão que o Copom acaba de tomar vai na contramão do que o país precisa e contraria principalmente os interesses da classe trabalhadora. Por esta razão, merece o repúdio de todas as centrais sindicais.”
 
Valorização do trabalho
 
Gomes lembrou que a CTB “defende com toda energia o desenvolvimento nacional com valorização do trabalho, é uma bandeira estratégica dos nossos sindicatos. Temos consciência de que o crescimento da economia é uma condição essencial para a valorização da classe trabalhadora, é o que tem viabilizado a geração de novos postos de trabalho com carteira assinada, o aumento do salário mínimo, ganhos reais para as categorias nas negociações com o patronato e certa reversão do processo de redução da participação dos salários no PIB”
 
“A trajetória da economia nacional no governo Lula”, prossegue, “demonstra que a valorização do trabalho gera um círculo virtuoso de desenvolvimento, fomentando o crescimento do consumo, elevando a condição de vida de milhões de brasileiros, ampliando e fortalecendo o mercado interno. Foi isto que salvou o Brasil da crise mundial do capitalismo que teve início nos EUA.”
 
Perversidade
 
O sindicalista indaga: “O que desejam os tecnocratas do Copom? Interromper o processo de recuperação do poder aquisitivo das massas, reverter a ascensão das camadas mais pobres da população trabalhadora ampliando o desemprego e a precarização, arrochando salários?”
 
Ele também apontou os interesses que estão por trás da alta dos juros. “Embora façam isto a pretexto de combater a inflação, a verdade é que a decisão serve a outros interesses, pois na prática resulta numa perversa redistribuição da renda nacional em detrimento da classe trabalhadora e das empresas produtivas e a favor da oligarquia financeira.”
 
Finalmente, o dirigente da CTB realçou que diante da decisão do Copom, que pode se repetir nas próximas reuniões do órgão, “é preciso ampliar a mobilização pela democratização do Conselho Monetário Nacional, regulamentação do Artigo 192 da Constituição (que prevê uma regulamentação democrática do sistema financeiro) e mudança imediata da política monetária, que manteve a herança conservadora da era neoliberal. Não dá para conciliar com isto.”