Ministra chama de genocidio mortes de indígenas no Peru


A ministra venezuelana para os Povos Indígenas, Nicia Maldonado, chamou hoje de "genocídio" as operações realizadas pela polícia peruana na cidade de Bagua, norte do país, onde ao menos 30 pessoas já morreram desde a última sexta-feira.

"Mais uma vez, mostra-se o atropelo aos quais sempre foram sujeitos os povos indígenas, sobretudo durante a época dos governos neoliberais", enfatizou. "Condenamos categoricamente este genocídio cometido contra nossos irmãos."

Na sexta-feira (), a polícia iniciou a desmobilização de indígenas que há dez dias fechavam a estrada Fernando Belaunde Terry, na Amazônia. Os manifestantes são contrários a decretos do governo que estabelecem a exploração de minérios e petróleo na região.

A operação desencadeou violentos confrontos. O número de vítimas, contudo, varia conforme as partes envolvidas. O governo alega que os mortos são 22 policiais e nove indígenas.

Mas, segundo as comunidades locais, até 40 civis podem ter sido assassinados, e há a denúncia de que 100 pessoas estariam desaparecidas.

Pela manhã, o presidente do país, Alan García, prestou uma homenagem aos oficiais mortos. Nove deles, de acordo com Lima, foram executados após serem mantidos reféns pelos indígenas na selva. Desde sexta-feira, está em vigor na região um toque de recolher.

Maldonado disse que conversou com representantes da Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana, os quais lhe relataram que há muito mais feridos que os contabilizados.

Além disso, segundo ela, há cadáveres que foram incinerados ou jogados em rios, o que dificulta a contagem exata dos mortos.
Isto é um verdadeiro massacre, um ato terrorista contra aqueles que quiseram se expressar", ressaltou a funcionária de Caracas.

A vice-presidente da Associação Interétnica, Deysi Zapata, informou também que o líder indígena Alberto Pizango, cuja ordem de prisão foi emitida pela Justiça no fim de semana, não fugiu para a Bolívia, como havia informado o governo.

Ela assegurou que seu colega está no Peru, mas que seu paradeiro é mantido em sigilo devido a ameaças feitas por autoridades.
"Pizango não fugiu, nem é um criminoso. Ele simplesmente está protegendo a sua vida, está aqui em Lima e em breve aparecerá para dar uma entrevista coletiva", explicou a militante.