Cuba elogia decisão da OEA, mas rejeita retorno à organização


O governo cubano elogiou na noite desta quarta-feira a decisão da (OEA) Organização dos Estados Americanos de revogar a suspensão da ilha do organismo, que vigorava desde 1962. No comunicado divulgado pela televisão estatal, o governo também voltou a informar que não pretende voltar ao organismo.

Por aclamação os 34 países da OEA revogaram a suspensão imposta há 47 anos à ilha por ter se juntado ao bloco comunista. A resolução aprovada na 39ª Assembleia Geral da organização determina que o país cumpra os requisitos da OEA para ser readmitido, o que os EUA interpretam como uma exigência de compromissos com a democratização do país e o respeito aos direitos humanos. Países como Equador e Venezuela dizem que a decisão foi incondicional. Esse foi o mesmo entendimento do expresso pelo governo cubano.

"Em um dia histórico e de reivindicação para os povos de nossa América, a Assembleia Geral da OEA revogou hoje sem condições a resolução pela qual a Cuba foi expulsa da organização", informa a nota oficial.

"Cuba não pediu nem quer voltar à OEA, cheia de uma história obscura e entreguista, mas reconhece o valor político, o simbolismo e a rebeldia que entranha esta decisão impulsionada pelos governos populares da América Latina", acrescenta o comunicado.

Segundo o governo cubano, "apesar de pressões, condicionamentos e manobras dos Estados Unidos, a força formidável da América Latina que está nascendo possibilitou o gesto de reparação, a retificação histórica, a condenação implícita ao passado degradante".

"Como afirmou Fidel em sua \’Reflexão\’ de ontem [terça-feira] à noite, Cuba não é inimiga da paz, nem reticente à troca e à cooperação entre países de diferentes sistemas políticos, mas foi, é e será intransigente na defesa de seus princípios", diz o texto da nota oficial.

O texto acrescenta que é "um dia histórico este 3 de junho, no qual felicitamos Raúl [Castro, atual presidente] em seu aniversário por ser protagonista, junto a Fidel, destas duras e vitoriosas batalhas de nosso povo".

Em termos mais contundentes que os utilizados na nota oficial, um deputado disse na TV estatal cubana que a decisão da OEA foi um triunfo "histórico" para a ilha para a América Latina, e uma derrota para Washington.

"Apesar das pressões, constrangimentos e das operações dos Estados Unidos, a formidável força da América Latina que está nascendo tornou possível o desagravo, a retificação histórica, a condenação implícita do passado vergonhoso", disse o deputado Randy Alonso na Mesa Redonda, o principal programa oficial de televisão cubana.