Mulheres entram no Parlamento do Kuait pela primeira vez


Pela primeira vez no emirado do Kuait, quatro mulheres foram eleitas deputadas da Assembleia Nacional, composta de 50 assentos. Uma delas, Masuma el Mubarak, já tinha feito história ao ser nomeada ministra da Saúde, mas se demitiu no ano passado.

Agora ela sozinha conseguiu mais votos que os nove candidatos masculinos juntos em seu distrito eleitoral. As outras três deputadas são Rola Dashti, independente liberal, Asil al Awadi, da Aliança Nacional Democrática, e a independente Salwa al Yasar.

Nestas eleições legislativas, as terceiras organizadas nos últimos três anos em um ambiente quase permanente de crise política, haviam se apresentado 210 candidaturas, 17 das quais femininas.

Somente uma minoria dos 2,7 milhões de habitantes tem direito a votar. Não só ficam excluídos 1,7 milhão de estrangeiros, como também milhares de súditos árabes, denominados "bidun", que não têm nacionalidade reconhecida. Apenas 384.790 homens e mulheres de indiscutível nacionalidade kuaitiana podiam ir às urnas.

O sucesso das quatro candidatas foi, segundo suas próprias declarações, uma grande surpresa. Somente em 2006 as mulheres foram autorizadas a participar do processo eleitoral, como eleitoras ou como candidatas. Em 2008 houve 25 aspirantes à Assembleia, mas nenhuma conseguiu se eleger.

Há quatro décadas as ativistas kuaitianas se esforçam para obter seus direitos políticos através de associações históricas como a Sociedade Cultural e Social ou a Sociedade do Desenvolvimento da Mulher Árabe, formadas por mulheres de alta posição social.

Depois da invasão iraquiana de 1990, o emir – restabelecido no trono graças às tropas americanas – fez diversas promessas de democratizar o Estado, sobretudo com o reconhecimento dos direitos políticos das mulheres e a concessão aos biduns de sua desejada nacionalidade. As dirigentes do movimento de reivindicação feminino deram seus depoimentos diversas vezes nas diwanias, ou grandes tendas de campanha armadas durante as eleições, que são o local de reunião dos políticos.

Batizaram uma de suas ruas como Rua da Liberdade, mas apesar das promessas do soberano e devido sobretudo à oposição das forças islâmicas e conservadoras tiveram de adiar seus projetos.

O Kuait sempre foi o único Estado com Constituição (desde 1962) e Parlamento no âmbito dos ricos principados petrolíferos do Golfo. Depois deste dia histórica, as mulheres kuaitianas têm um motivo a mais para se orgulhar.