China supera EUA e é o maior mercado para vendas brasileiras


A China superou os Estados Unidos como maior mercado para as exportações brasileiras: é o que indicam os dados da balança comercial do país entre janeiro e abril, divulgados nesta segunda-feira ()  pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na comparação com o mesmo período de 2008, as exportações para a China dispararam 66,7%, enquanto aquelas para os EUA, atingidas pela crise, encolheram 34,5%.

Virada ocorreu em abril

No acumulado de janeiro a março, o mercado americano ainda figurava como o maior comprador de produtos brasileiros. A virada ocorreu em abril, quando as exportações brasileiras para a China somaram US$ 2,23 bilhões (um crescimento de 76,4% face ao mesmo mês de 2008). As vendas do mês para os EUA foram de US$ 1,34 bilhão (queda de 23,8%).

Foi o primeiro mês em que a China figurou como principal parceira do Brasil, e ainda assim apenas quanto às exportações brasileiras. Quanto às importações (veja o gráfico), os EUA permanecem em primeiro lugar.

Fora a China, apenas África comprou mais

Os dados do MDIC desmentem as opiniões de setores do empresariado e da mídia tupiniquim que demonizam o comércio com a China e a Argentina, exigindo medidas protecionistas do governo federal. Nos dois casos, o Brasil teve superávit comercial, de US$ 1,01 bilhão, mantendo uma tendência histórica. Os grandes déficits (veja o gráfico) foram com os desenvolvidos EUA e Alemanha.

No entanto, as exportações brasileiras para a China acentuaram a tendência para se concentrarem em produtos primários: minério de ferro, soja em grão, celulose. No cômputo geral de abril, a exportação de produtos básicos cresceu 27,4% face a igual mês do ano passado. Mas os manufaturados e semimanufaturados tiveram retração de 27,4% e 17,2%,

O fenômeno chinês não impediu que as exportações brasileiras do quadrimestre recuassem 16,5% em relação ao mesmo período de 2008. Apenas as exportações para a África também tiveram variação positiva no período, de 4,9%. A maior queda, de 42,1%, foi nas vendas para a Argentina, onde predominam produtos elaborados (veículos automóveis e partes, aparelhos eletroeletrônicos, equipamentos mecânicos e plásticos e obras). As exportações para a União Europeia diminuiram 22,9%.

Abril tem superávit de US$ 3,7 bilhões

A balança comercial brasileira do mês de abril de 2009 fechou com um superávit comercial (diferença entre os valores exportados e importados) de US$ 3,7 bilhões. O MDIC festejou o desempenho, em um mês que contou com apenas 20 dias úteis.

As exportações em abril foram de US$ 12,3 bilhões (média diária de US$ 616 milhões) e importações de US$ 8,6 bilhões (média diária de US$ 430 milhões).

Considerando o critério da média diaria, o superávit do mês foi 130,4% maior que o de março último e 124,4% acima do registrado em abril de 2008. Na mesma comparação, as exportações aumentaram 14,8% sobre março deste ano e caíram 8% considerando o mesmo período do ano passado.

Já as importações realizadas este mês caíram na comparação com os dois períodos: 5,6% sobre março de 2009 e 26,6% frente a abril de 2008. Ainda pela média diária, a corrente de comércio cresceu 5,4% em relação ao último mês e caiu 16,7% sobre abril do ano passado.a corrente de comércio chegou a US$ 4,4 bilhões (média diária de US$ 1,1 bilhão).

Só janeiro teve déficit

No acumulado do ano, com 81 dias úteis, o saldo comercial foi positivo em US$ 6,7 bilhões, com média diária de US$ 83 milhões – número 51,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Também pela média diária, a corrrente de comércio (de US$ 80,2 bilhões) caiu 19,5% em relação a janeiro-abril do ano passado.
No ano, as exportações chegam a US$ 43,4 bilhões (média diária de US$ 537 milhões) e as importações a US$ 36,7 bilhões (média diária de US$ 454 milhões). Na comparação pela média diária, as exportações em janeiro-abril deste ano foram 16,5% menores que as do mesmo período de 2008 e as importações 22,8% menores.

O superávit comercial de abril foi maior que a soma daqueles de fevereiro (US$ 1,76 bilhão) e março (US$ 1,77 bilhão). E ajudou a superar o temor de que a crise global traga um déficit para a balança do comércio externo, como chegou a acontecer em janeiro, quando as importações superaram as importações em US$ 527 milhões.

Apesar do janeiro deficitário, o primeiro quadrimestre de 2009 produziu um saldo positivo 49,4% superior ao alcançado em janeiro-abril de 2008, quando o superávit foi de US$ 4,498 bilhões. Mas este último número foi fortemente pressionado pelas importações decorrentes da aceleração econômica no país. Nos primeiros quadrimestres de 2005, 2006 e 2007 o superávit comercial brasileiro situou-se na casa dos US$ 12 bilhões.