Ceará


Isenção do IPI: preço de bicicletas pode cair 20%

Mesmo antes da medida entrar em vigor, lojistas estão empolgados

O preço das bicicletas e de suas peças podem cair cerca de 20% caso o Governo conceda a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os produtos.

O projeto de lei com essa finalidade foi apresentado pelo senador Inácio Arruda (PC do B). Mesmo antes da medida entrar em vigor, as lojas do varejo cearense que trabalham no ramo estão empolgadas com a notícia e esperam um aumento nas vendas. “Eu acredito que vão aumentar de 35% a 40% as vendas”, arriscou o gerente da Centauro, Jardel Farias. Cerca de 10% do faturamento da loja é devido às comercializações no setor.

Farias explicou que a redução vai ser muito positiva principalmente nos meses próximos à temporada de férias no meio do ano, quando as vendas aumentam. Ele lembrou que as comercializações se intensificam em julho e em janeiro. Os preços na loja variam de R$ 150,00 a R$ 3000,00, desde bicicletas infantis até tipos mais sofisticados e tecnológicos.

“Qualquer redução que você botar na pesada carga tributária brasileira, vai haver melhora”, ponderou o gerente da Liliane, Marcelo Dias. Segundo ele, a isenção de impostos é benéfica tanto para aquecer a economia quanto para manter os empregos na indústria e no setor comercial. Dias lembrou que o mesmo aconteceu quando foi reduzido o IPI para eletrodomésticos.

“Assim como está acontecendo com a linha branca, as vendas tendem a aumentar. As pessoas se antecipam e já vêm com a intenção de comprar para aproveitar os descontos”, acrescentou. Na loja, com a redução média de 10% a 20% nos preços dos eletrodomésticos, as vendas já aumentaram em 30%. A elevação foi puxada também pela proximidade com o Dia das Mães, explicou o gerente.

Dias enfatizou que a redução seria ainda mais expressiva se fosse estendida para os produtos da linha de ginástica, como bicicletas ergométricas e esteiras. “Mas talvez a intenção seja beneficiar aquele pequeno consumidor”, argumentou. As bicicletas convencionais representam de 3% a 4% do faturamento da loja e os preços variam de R$ 220,00 a R$ 440,00.

» Projeto. O projeto de lei apresentado pelo senador Inácio Arruda solicita redução a zero das alíquotas de Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) incidentes sobre a importação e a receita bruta decorrente da venda desses produtos.

O objetivo é democratizar o acesso às bicicletas, meio de transporte não poluente e utilizado em 7,4% dos deslocamentos no Brasil, o que representa 15 milhões de viagens diárias, segundo a ANTP (Associação Nacional do Transporte Público). Para Inácio Arruda, a utilização de bicicletas nas locomoções de curta distância deveria ser incentivada. “Na verdade, a bicicleta deveria ser o meio de locomoção preferencial para distâncias curtas, de até dez quilômetros, mas a cultura de uso do automóvel, que domina na maioria das cidades, impede que esse meio de transporte barato e saudável seja usado com mais frequência”, argumentou.

Além disso, o objetivo é intensificar a produção de bicicletas e fortalecer o setor. “Além de ampliar o mercado interno, poderemos aumentar nossa competitividade e buscar o imenso mercado mundial, já que hoje nossa produção atende apenas à demanda interna”, explicou Inácio.

» Números do setor. Segundo a AMC (Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania de Fortaleza), existem 51,7 km de ciclovias em Fortaleza. No Estado, são 71,2 km. O Brasil possui 600 km de ciclovias, número pequeno em relação à frota nacional, que supera 50 milhões de bicicletas, das quais mais de 80% circulam nas regiões Nordeste e Sudeste.

O Brasil é o 3o maior Pólo de Produção de Bicicletas no mundo, com 4,5% da produção mundial, superado apenas pela China (%) e pela Índia (%), segundo dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas Bicicletas e Similares).