América Latina se recuperará primeiro da crise, diz FMI


Os países da América Latina e Caribe se recuperarão mais rapidamente da crise econômica que os países ricos e de outras regiões em desenvolvimento, segundo informou hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em um relatório divulgado nesta quarta-feira, a instituição sustentou que a atividade econômica da América Latina "vai sofrer menos em comparação com outros períodos de recessão mundial", e reiterou que o PIB regional terá uma retração de 1,5% neste ano e crescerá 1,6% em 2010.

As economias desenvolvidas, por sua vez, terão uma contração de 3,8% em seu PIB em 2009, e a previsão para 2010 é de "crescimento nulo".

Ainda de acordo com a entidade, a região sentirá de maneira mais forte os impactos da crise na primeira metade de 2009, mas deve começar a se recuperar a partir do segundo semestre.

"Não há dúvida de que a turbulência global está influenciando a região, mas por outro lado, a América Latina atualmente dispõe de um grau de preparação muito mais elevado do ponto de vista da solidez das finanças públicas e dos setores financeiros", analisou Nicolás Eyzaguirre, diretor do FMI para a América Latina.

Segundo Eyzaguirre, por conta disso a região "não deve enfrentar uma crise fiscal, como acontece em outras regiões em desenvolvimento, nem uma crise bancária, como nos Estados Unidos e em grande parte da Europa".

No entanto, o documento do FMI assinala que o impacto da crise na região "foi grave" e que "todos os países" mostraram "quedas na demanda externa e muito sofreram uma piora em termos de intercâmbio, quando os preços de exportação das matérias-primas despencaram".

"O ingresso de remessas e o turismo também caíram muito, e o financiamento externo encareceu para todos os tomadores de empréstimos", acrescenta o texto.

Apesar das dificuldades, o FMI destacou que "a região criou muitas fontes sólidas de resistência durante a última década". "Muitos países conseguiram importantes avanços na meta de consolidar a situação fiscal e as estruturas da dívida pública, fortalecer os sistemas financeiros e a sua regulamentação, estabilizar a inflação e dar mais credibilidade à política econômica", acrescentou o documento.

O texto ainda afirma que os bancos da região "estão mais resistente que no passado, porque souberam lidar com seus pontos fracos, como a exposição à depreciação da moeda ou a dependência ao financiamento externo".

"A América Latina nos ensinou que uma boa preparação gera dividendos importantes quando as condições externas se deterioram", concluiu Eyzaguirre.