Senado homenageia PCdoB


O Plenário do Senado comemorou, nesta terça-feira (), os 87 anos de fundação do Partido Comunista do Brasil, ocorrida em 25 de março de 1922. Para o autor do requerimento, senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), esse aniversário, mesmo não sendo uma data "arredondada", merece ser registrado em função de o sistema capitalista viver uma "crise de largas proporções".

– O PCdoB comemora 87 anos em meio a uma conjuntura desafiadora no plano nacional e internacional, um momento no qual a História nos convida para uma profunda reflexão sobre o melhor caminho a ser seguido – justificou.

O parlamentar afirmou que a crise do capitalismo não é passageira e tampouco setorizada, e sim gerada pelo "esgotamento de um padrão de acumulação que não mais se sustenta em sua autofagia e que o coloca com impossibilidades de uma superação dentro dos marcos do atual modelo" e por isso, é tempo de mudar paradigmas.

Inácio Arruda disse que o Brasil veio se aperfeiçoando ao longo do tempo para sair fortalecido das crises do capitalismo, o que proporcionou o crescimento econômico e a melhoria da renda dos trabalhadores nos últimos anos. Observou, no entanto, que a atual política monetária, com a cobrança de juros altos, "não parece adequada para promover o enfrentamento da crise e consolidar o ciclo de desenvolvimento nacional de que o país precisa".

Arruda criticou ainda o fato de o Poder Executivo ter enviado uma proposta de reforma política ao Parlamento, já que tal iniciativa não cabe a ele. A forma como foi enviada, em projetos isolados, também não é bem vista por seu partido, segundo explicou, já que tal formato "proporciona aos grandes partidos, por conta de suas maiorias numéricas, ainda mais força para decidir quais itens serão aprovados, remetendo os demais às gavetas do esquecimento", como o PCdoB, partido que a seu ver é "essencial para a democracia brasileira".

O senador ressaltou o papel da agremiação na recente história política brasileira, seus questionamentos a respeito dos fundamentos da sociedade brasileira, que se iniciaram na 1ª Semana de Arte Moderna, passando pela oposição ao Estado Novo, pela busca da redemocratização e das liberdades de imprensa, de reunião e de associação.

Arruda lembrou a eleição de Luis Carlos Prestes, um dos maiores representantes do partido, como senador da Assembléia Nacional Constituinte de 1946, o qual, em seu discurso de posse, conclamou a união pela construção de "um país livre, soberano e democrático, diante da grave crise econômica então vivenciada pelo mundo do pós-guerra", situação semelhante à atual, conforme afirmou.

Estiveram presentes à cerimônia os embaixadores da Venezuela, Bolívia, Palestina, Vietnã e China; as deputada Manuela D\’ávila (PCdoB-RS) e Jô Moraes (PCdoB-MG), o presidente do PCdoB, Renato Rabelo; Carmem Carneiro, viúva do ex-senador Nélson Carneiro; representantes de universidades e do Ministério Público; e o ministro dos Esportes, Orlando Silva.

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