Novo presidente do BB


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou no início da tarde desta quarta-feira que o novo presidente do Banco do Brasil (BB), Aldemir Bendine, terá um contrato de gestão que prevê metas como a redução do spread bancário. O executivo substitui Antônio Francisco de Lima Neto, que deixa o cargo por vontade própria, segundo Mantega.

"Aldemir vai assumir o cargo com um contrato de gestão, um compromisso para seguir determinadas metas. Vamos perseguir metas de aumento de crédito, ampliar a quantidade de correntistas dando condições melhores aos clientes e, para isso, baixar a taxa de juros, o que já vem acontecendo", disse o ministro.

"(O Banco do Brasil) Vai ter uma política mais agressiva da que vinha sendo feita. Vamos ampliar a concorrência porque a concorrência no setor financeiro é incipiente e insatisfatória e uma das razões pelas quais o spread se mantém alto. Vamos disputar com os outros bancos para ver se eles baixam o spread. O Banco do Brasil não vai ter perda de rentabilidade porque ele vai ganhar em um volume maior de crédito", completou.

Lima Neto, que apresentou nesta terça-feira seu pedido de exoneração do cargo "em caráter irrevogável", permanece na função até o dia 22 de abril. Mantega informou que o presidente demissionário terá um novo posto, mas não informou qual será.

Mantega descartou ainda qualquer tipo de ingerência política no comando da instituição. "O maior acionista do Banco do Brasil é o governo, portanto se o presidente pede demissão temos que substitui-lo. Se houve ingerência política, foi para o bem. Falar em ingerência partidária é uma bobagem", explicou.

Bendine ocupava a posição de vice-presidente de Cartões e Novos Negócios de Varejo e confirmou as metas de sua gestão à frente do banco estatal. "Acho que isso (redução dos juros) é algo já estabelecido. Vamos combater o spread, capacidade que o banco tem e vai aproveitar o momento para fazer", disse.

Na última pesquisa sobre juros feita pelo Banco Central, divulgada no final de março, a diferença entre a taxa que o banco capta o dinheiro e a taxa que ele cobra dos clientes pessoa física era de 41,5 pontos percentuais. O spread para empréstimo a pessoa jurídica (empresas) era de 18,9 pontos. O spread médio no Brasil estava em 29,7 pontos.

Durante a passagem de Lima Neto pela presidência do banco estatal, que começou em dezembro de 2006, o Banco do Brasil comprou a Nossa Caixa. A transação, fechada em novembro do ano passado, custou R$ 5,3 bilhões ao BB. A instituição financeira é atualmente a segunda maior do País, em total de ativos, atrás do Itaú Unibanco.