Morales se declara comunista e pede que Bolivia seja expulsa da OEA


O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que se considera "marxista, leninista e comunista", e por este motivo instou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a expulsar seu país de seu quadro de membros, como fez com Cuba em 1962.
 
"Quero dizer aos membros da OEA que me declaro marxista, leninista, comunista e socialista. Agora quero que me expulsem da OEA", disse o mandatário, que participa na cidade venezuelana de Cumaná de uma reunião da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba).

Desta forma, Morales se referiu ao regime cubano, cuja participação na entidade foi suspensa no início da década de 1960, pouco depois do triunfo da revolução liderada por Fidel Castro.

Para o boliviano, "é inaceitável o argumento segundo o qual Cuba foi expulsa da OEA porque aderiu ao marxismo-leninismo, o que a OEA teria considerado incompatível com seus preceitos".

Mais cedo, ao chegar à Venezuela para também participar da cúpula da Alba, o próprio presidente cubano, Raúl Castro, disse que a OEA deveria desaparecer e reiterou que seu país não pretende ser reintegrado a ela.

Já o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, atacou diretamente o secretário-geral da entidade, o chileno José Miguel Insulza, que recentemente afirmou que Cuba deve manifestar seu compromisso com a democracia caso queira retornar à OEA.

"Insulza está voltando 50 anos. Fidel [Castro] responde a ele com razão e dignidade", disse o mandatário, referindo-se ao artigo em que o histórico líder cubano condena as declarações do secretário-geral.

No texto, Fidel afirma ainda que "a OEA tem uma história que recolhe todo o lixo de 60 anos de traição aos povos da América Latina".