Arca das Letras


Bibliotecas rurais em comunidades do interior do Ceará levam o prazer da leitura a quem tem pouco acesso a livros. Agricultores, crianças e donas de casa se beneficiam do projeto Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Há um mês, uma novidade mudou a rotina dos estudantes da comunidade de Barbalha, no sul do Ceará. Eles ganharam uma minibiblioteca com 200 livros para ler e ajudar nas pesquisas fora de sala de aula.

“A garotada vem retirar os livros para levar para casa e passa oito, quinze dias com as obras e depois vem trocar por outras, com a maior empolgação”, afirma Cícero Saraiva, agente de leitura.

O projeto atende 1.700 municípios do país. “Começamos a perceber que tem melhorado o hábito de leitura da população, nos agriculturores e nos seus filhos. Temos mais de 20 mil livros no programa Arca das Letras”, diz o prefeito de Itapipoca, Geraldo Azevedo.

Em Itapipoca, a 140 km de Fortaleza, já foram implantadas cem pequenas bibliotecas. Em uma delas, Rebeca Fernandes, 14 anos, descobriu o gosto pela leitura. “Antes do projeto, não tinha livro para ler, a gente ficava em casa sem fazer nada. Agora, não”, afirma.

As minibibliotecas funcionam na casa de voluntários da comunidade. São pessoas que foram treinadas para atender os leitores. Desde que ganham uma biblioteca como vizinha, o agricultor João Deodato, 74 anos, pega um novo livro a cada duas semanas. Depois de ler dezenas deles, ele elegeu o escritor José de Alencar como o seu favorito.

“Quase todas as obras têm uma característica muito forte. Ele estimula o caboclo do sertão, que somos nós, e o índio. Eu acho isso maravilhoso. Eu não tenho esporte nenhum. Meu esporte é ler”, afirma Deodato. Além do acervo oficial de 200 títulos, as bibliotecas rurais, como também são chamadas, contam com doações.