Israel impede barco libanês de levar ajuda humanitária a Gaza


Navios de Guerra israelenses impediram nesta quinta-feira a entrega de 50 toneladas de ajuda humanitária aos habitantes da faixa de Gaza pelo mar Mediterrâneo. Uma embarcação libanesa que levava o material foi parada por volta das 8h30 (hora local) sem conseguir atracar no território palestino.

Gaza –cuja população é de quase 1,5 milhão de pessoas– sofre com a falta de comida, água, energia e materiais como roupas, colchões e material de construção, escassos devido ao bloqueio israelense.

De acordo com a rede de TV americana CNN, o navio enviado pela organização humanitária Fraternidade Libanesa levaria remédios, alimentos e brinquedos para os palestinos, afirmou o coordenador de ajuda internacional Maan Bashur.

O navio levava ainda nove passageiros –seis ativistas libaneses, um sacerdote, um ativista inglês e um religioso palestino–, que foram capturados pelas tropas israelenses.

Nesta quinta, em um incidente separado, as tropas israelenses confiscaram mais de 3.500 colchões e 400 cestas de alimentos enviados pela agência da ONU para refugiados palestinos. O material era destinado a mais de 500 famílias.
 
Palestina carrega criança sobre escombros após bombardeio israelense, em Gaza; Israel reconheceu que matou adolescentes
Para analistas, os episódios devem gerar novas críticas da comunidade internacional às operações israelenses contra a faixa de Gaza. Após 22 dias de bombardeios –iniciados em 27 de dezembro e encerrados no último dia 18–, Israel matou mais de 1.300 pessoas e deixou mais de 5.000 palestinos feridos.

O objetivo da operação era enfraquecer o grupo islâmico Hamas, que domina o território desde 2007, e interromper o lançamento de foguetes contra Israel. A ofensiva, contudo, foi duramente criticada por não discriminar alvos terroristas de alvos civis em Gaza.

Escolas da ONU e até um depósito de material de ajuda humanitária foram destruídos, além de centenas de crianças terem sido mortas.

Ataque humanitário

O Exército israelense admitiu nesta quarta-feira () sua responsabilidade na morte de três adolescentes, filhas de um médico palestino durante a ofensiva de Israel na faixa de Gaza.

"O Exército realizou várias investigações em diferentes níveis sobre o acontecimento, na casa do doutor Ezzedin Abu Al Eich, no dia 16 de janeiro de 2009", afirma um comunicado.
 
"As conclusões mostraram que dois morteiros foram disparados por um tanque nosso, causando a morte das três filhas de Al Eich", diz a nota, acrescentando que "as Forças Armadas estão entristecidas com o sofrimento causado à família; mas afirma, ao mesmo tempo que, considerando os níveis de ameaças e a intensidade dos combates na zona, as decisões de abrir fogo contra a residência foram razoáveis".

Pouco depois da morte de Bissam, 20, Mayar, 14, e Aya Abu al Eich, 13, seu pai telefonou para um apresentador do Canal 10 –uma rede privada israelense de televisão, a quem conhecia pessoalmente e, ao vivo, denunciou: "Eram apenas meninas, nada mais que meninas. Elas foram bombardeadas. Por que as mataram?".

A ofensiva israelense, entre os dias 27 de dezembro e 18 de janeiro, deixou cerca de 1.300 palestinos mortos e milhares de feridos. No mesmo período, 13 israelenses morreram, sendo que dez eram soldados e os outros três, civis.