Começa cadastramento de eleitores para referendo Constitucional


O cadastramento dos eleitores para o referendo sobre a nova Constituição da Bolívia começou nesta segunda-feira, enquanto o governo realiza uma campanha intensa em favor da aprovação.

Quatro mil notários começaram a trabalhar hoje em todo o país para inscrever até o próximo dia 23 de novembro os eleitores e para registrar mudanças de domicílio, enquanto ainda está em curso uma auditoria para o padrão eleitoral.

De maneira simultânea e pela primeira vez na história do país, o Congresso deve decidir esta semana se na consulta do dia 25 de janeiro irá contar com a participação dos milhares de residente bolivianos no exterior, especialmente nos países vizinhos como Brasil e Argentina.

A discussão do tema começará amanhã no Senado, onde o projeto de lei apoiado pelo governo está parado desde abril devido às objeções da oposição com o fato que o controle dos votos no exterior fique a cargo dos consulados e embaixadas.

O senador opositor Roger Pinto opinou que o mecanismo deve estar a cargo da Corte Eleitoral e deve ser aperfeiçoada junto com o padrão eleitoral, já que "deixá-lo nas mãos de cônsules e embaixadores que pertencem ao governo, não faz sentido".

A oposição exige que seja habilitado simultaneamente o voto dos bolivianos em qualquer país, enquanto o governo pretende que por enquanto seja habilitado somente o dos residentes na Espanha e no norte da Argentina.

Enquanto isso, o presidente Evo Morales iniciou nesse fim de semana uma intensa campanha pelo sim durante o ato de entrega de um bônus de 200 bolivianos (US$20) aos estudantes dos oito anos do ensino fundamental no país.

O presidente começou a entregar o bônus em Cobija e Trindad, as capitais dos departamentos amazônicos de Pando e Beni, redutos opositores.

O vice-presidente e os ministros do governo Morales fizeram o mesmo nas outras sete capitais departamentais e nas principais cidades do país.
Aproveito para informar a vocês sobre os aumentos salariais para o setor de saúde e educação", disse Morales ao anunciar um aumento de 14% para 2009 a favor desses setores, tradicionalmente os mais críticos do governo.

O vice-presidente, Álvaro García Linera, por sua vez, prognosticou que o projeto de nova Constituição será aprovado por mais de 80% e que com sua colocação em prática os nove estados bolivianos terão um regime autonômico, uma das principais exigências da oposição.

Após o acordo político no Congresso, que possibilitou a convocação do referendo constitucional, o governo divulga seu modelo de autonomia departamental.

A oposição, enquanto isso, discute ainda a possibilidade de formar uma frente ampla para apoiar o voto pelo não, ainda que esteja dividida, já que o ex-presidente direitista Jorge Quiroga, chefe do Podemos, anunciou que apóia o sim, após o acordo político sobre o regime de autonomias departamentais.