9 de março de 2018

Participação das mulheres na ciência é tema de evento na Secitece

A Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior contou com uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, nesta quinta, 8 de março.

Ao abrir o evento, o secretário Inácio Arruda disse que a data tem um significado muito elevado e celebra as conquistas de muita luta, de uma batalha vigorosa das mulheres. “As mulheres ficaram largos períodos completamente à margem e, ainda hoje, a presença de mulheres nos centros de poder ainda é pequena”, afirmou Inácio.

Logo após o café da manhã oferecido às colaboradoras, a professora Doutora Paula Lenz, Diretora Administrativo-Financeira da FUNCAP e professora/orientadora do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada e do Mestrado Profissional em Biotecnologia em Saúde Humana e Animal, conduziu as discussões do “Café Debate: As Mulheres e a Ciência”, que contou também com a participação das professoras Dra Helena Serra Azul (médica, pesquisadora/UFC) e Cláudia do Ó (professora e pesquisadora FIOCRUZ).

Também estiveram presentes ao evento a Coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação, Flaviana Pereira; da Coordenadora Especial de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial do Estado Ceará, Zelma Madeira e Camila Silveira, Coordenadora Especial de Políticas Públicas para as Mulheres do Governo do Ceará.

Paula Lenz traçou um histórico mostrando que a presença das mulheres na Ciência, embora pequena, vem desde a antiguidade. A matemática Hipátia de Alexandriade foi uma dessas primeiras desbravadoras. A cientista morreu dia 8 de março de 415 d.C, assassinada, tornando-se um símbolo em um período que a ciência foi perseguida pela irracionalidade da igreja.

Desde então, as mulheres tem ganhado espaço no meio acadêmico e científico, mas a disparidade entre a quantidade de homens e mulheres ainda é preocupante. Dos 587 laureados com o Prêmio Nobel, instituído desde 1895, apenas 49 foram destinados a mulheres. A cientista Marie Curie foi agraciada duas vezes por seu trabalho no campo da Química e da Física.

Pioneiras da Ciência no Brasil


Paula Lenz também destacou a iniciativa do CNPq ao lançar o Programa Pioneiras da Ciência no Brasil, que já está em sua sexta edição, mostrando a história de mulheres que contribuíram para o avanço da Ciência no País. Ao todo já foram homenageadas 70 mulheres de diversas áreas do conhecimento, como Biologia, Psicologia, Quimica e Física.

De acordo com o levantamento apresentado há uma equílibrio entre a quantidade de doutores homens e mulheres. “A maior parte das doutoras está nas ciências humanas e da saúde, mas quando falamos em engenharia, o gargalo ainda é muito grande”, aponta Paula.

Ainda assim, apenas 36% das bolsas tipo PQ2 (Produtividade em Pesquisa) são para mulheres. “Mesmo quando olhamos os últimos 15 anos o total de bolsas existentes no País ainda é proporcionalmente maior para homens que detêm quase o dobro de bolsas que as mulheres”.

A cientista Helena Serra Azul disse que no Japão, apenas 20% das mulheres participam das pesquisas. “Mesmo sendo uma sociedade avançada a disparidade é enorme”, relata. Para ela, um dos grandes problemas é a cultura machista. “Essa diferença entre homens e mulheres nas ciências exatas, como é o caso da Engenharia, tem muito a ver com a nossa cultura machista”, contesta. Para ela, “há um vácuo muito grande na questão do poder, mas isso não é uma questão de colocar a mulher contra o homem, e sim de garantir que os esforços das mulheres sejam reconhecidos”.

Na contramão do restante do País, o cenário cearense é promissor. “No Ceará, temos mais mulheres recebendo bolsas do que homens”, comemora Paula. Do total de bolsas concedidas pela Funcap, 54,8% são de mulheres. “Em programas como o PPSUS, 75% dos projetos aprovados são coordenados por pesquisadoras”, revela.

Mas ainda é preciso estimular a participação das mulheres em empresas de base tecnológica. “Quando o assunto é subvenção econômica, o número de empresárias inovadoras ainda é muito baixo”, diz Paula.

A pesquisadora Cláudia do Ó contou um pouco de sua trajetória e das barreiras que precisou enfrentar ao longo de sua carreira. “É a determinação da mulher naquilo que ela quer ser e onde quer estar que faz toda a diferença, mas para isso é preciso ter dedicação e foco”, garante.