3 de abril de 2014

Palestina entrega à ONU documentação para aderir a 15 convênios internacionais

Em represália, ministro israelense pediu anulação dos Acordos de paz de Oslo; Kerry também cancelou viagem à região
O ministro de Relações Exteriores palestino, Riad al-Malki, se encontrou nesta quarta-feira (02/04) com um representante da ONU (Organização das Nações Unidas), em Ramallah, para entregar-lhe a documentação de adesão da Palestina a 15 organismos e convênios internacionais.

“Devido a Israel não ter libertado o último grupo de prisioneiros, o Estado da Palestina não está mais obrigado a adiar seu direito de acessar tratados multilaterais e convenções”, informou a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) em comunicado.

Os documentos foram assinados na terça-feira (01/04) pelo presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina), Mahmoud Abbas, em evento televisionado. Participaram da entrega dos tratados, além de Robert Serry, representante da ONU, o negociador-chefe palestino, Saeb Erekat, e representantes diplomáticos da Holanda e da Suíça.

O presidente da ANP explicou ontem que a medida era uma resposta à violação de Israel do acordo para liberar o último grupo de 104 presos palestinos que cumprem condenação por delitos cometidos antes do primeiro acordo de Oslo, de 1993.

Agência Efe

Mahmoud Abbas (direita) assinou ontem documentação para aderir a tratados internacionais, na presença de Saeb Erekat

Em julho do ano passado, após ter obtido – oito meses antes – o reconhecimento da Palestina como Estado observador da ONU, Abbas se comprometeu a não buscar mais adesões durante os nove meses que durassem as negociações de paz mediadas pelos Estados Unidos, o que seria uma moeda de troca pela libertação dos 104 presos.

Na semana passada, porém, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanayhu, negou-se a libertar a quarta e última leva de presos, o que agravou ainda mais a crise atual das negociações de paz dirigidas pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry.

 

Ontem, duas horas após a assinatura da documentação de adesão, Kerry cancelou a viagem que faria a Ramallah para encontrar Abbas. O norte-americano minimizou uma possível crise nas conversas de paz e pediu “que ambos os lados mostrem moderação”. “Abbas me deu sua palavra que vai continuar a negociar até o fim de abril”, garantiu.

A OLP assegurou que os pedidos de adesão não significam o rompimento do processo de paz. “Espero que Kerry siga com seus esforços nos próximos dias. Não queremos o final das negociações”, afirmou o secretário-geral do Comitê Executivo da OLP, Yasser Abed Rabbo, em declarações a um grupo de jornalistas em Ramallah.

Entre os convênios e tratados que os palestinos pediram adesão estão a Quarta Convenção de Genebra de 1949, a Convenção de Viena de Relações Diplomáticas e a de Relações Consulares, a Convenção sobre os Direitos da Criança e a de Eliminação de Toda Forma de Discriminação da Mulher, informou o comunicado da OLP.

Resposta

Familiares de vítimas de atentados terroristas perpetrados por palestinos protestaram hoje em Israel contra a libertação de presos

O ministro de Construção e Habitação de Israel, Uri Ariel, pediu que Netanyahu anule os Acordos de Oslo, em represália aos pedidos de adesão da Palestina. “O pedido dos palestinos à ONU significa quebrar as regras, romper os acordos, e nós devemos responder com a mesma moeda e anular os Acordos de Oslo, que só nos trouxeram terrorismo e mortos”, pediu Ariel em seu perfil no Facebook.

Assinados entre 1993 e 2000, os Acordos de Oslo foram os primeiros passos concreto de israelenses e palestinos rumo à paz, mas sua aplicação foi dificultada desde o início pela ação de grupos extremistas.

Pouco depois de saber da entrega da documentação, Ariel afirmou que “os palestinos demonstraram que não se pode fazer nenhum agrado a eles, nem libertar terroristas e assassinos”.